Lombalgia

Lombalgia

A coluna vertebral é o eixo central do corpo humano, responsável pela sustentação do tronco e protecção de parte do sistema nervoso, sendo que para o seu perfeito funcionamento é necessário um equilíbrio entre as articulações que o constitui.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 80% da população sofrem ou sofrerão de lombalgia, em algum momento da vida e, em 40% dos casos, a dor inicial tende tornar-se crónica.

A dor lombar (lombalgia) pode ser definida como uma “dor no terço inferior da coluna”, mais especificamente entre as vértebras L1 e L5 e aparece frequentemente associada a lombociatalgia (dor irradiada para os membros inferiores através do nervo ciático e por vezes esta acompanhada de um espasmo nos músculos da região lombar).

A lombalgia é considerada aguda quando tem uma duração inferior a 6 semanas, sub – aguda quando permanece entre as 6 e as 12 semanas e crónica quando a sua duração é superior a 3 meses. A lombalgia crónica resulta da progressão de uma lombalgia aguda não resolvida e pode ser causada por doenças inflamatórias, degenerativas, alterações congénitas, debilidade muscular, predisposição osteoarticular, sinais de degeneração dos discos intervertebrais, entre outras.

Os fatores de risco podem ser individuais ou profissionais. Os individuais são: idade (30-60anos), índice de massa corporal inadequado, desequilíbrio muscular, diminuição de força muscular e condições socioeconómicas. Os factores profissionais mais relacionados com as lombalgias são mecânicos, posturais e traumáticos. A postura e a fadiga no trabalho são consideradas como factores relevantes para a elevada percentagem de recidiva da dor lombar. O trabalho sentado por longas horas, o trabalho pesado, o levantamento de cargas, a falta de exercícios físicos e os problemas psicológicos representam alguns dos principais factores que contribuem para a cronicidade da dor lombar.

Neste contexto, insere-se o Fisioterapeuta como agente de promoção da saúde que, após uma avaliação criteriosa irá definir estratégias terapêuticas para: eliminar a dor, equilibrar as estruturas articulares, reforçar a musculatura e desenvolver um programa de exercícios posturais.

O Fisioterapeuta dispõe de um vasto e eficaz conjunto de técnicas para o exercício das suas intervenções. Compete ao profissional a selecção e/ou combinação das técnicas que melhor assistam às necessidades dos pacientes com lombalgias. As terapias mais eficazes na dor lombar são: Fisioterapia, Osteopatia, Pilates Clínico e Acupuntura.

A Fisioterapia é essencial para a reabilitação do paciente e tem se mostrado uma ferramenta competente no tratamento conservador da dor lombar. Os recursos mais utilizados pela fisioterapia no tratamento da lombalgia são: termoterapia, massagem terapêutica, electroterapia, exercícios de fortalecimento e flexibilidade.

A Osteopatia é uma ciência que se fundamenta numa avaliação física minuciosa, acompanhada por exame palpatório e que agrupa dados clínicos para caracterizar as disfunções do sistema músculo-esquelético. Esta ciência abrange um amplo leque de diagnósticos diferenciais e vasto repertório de técnicas manuais direcionadas para os segmentos afetados. Gera-se assim um bom suporte para o tratamento do indivíduo analisado sob uma ótica holística.

A Acupunctura (associada ou não a electroestimulação) tem bons resultados no tratamento da dor lombar e pode ser um importante complemento ao tratamento ortopédico conservador. O tratamento é seleccionado com base em todo o historial clínico do paciente e é efetuado através da aplicação de agulhas em pontos dos meridianos relacionados com a patologia.

O Pilates Clínico é um treino de estabilidade dinâmica onde se ativam músculos profundos (diafragma, transverso abdominal, multífidos e pavimento pélvico), promovendo a estabilização da bacia e da coluna lombar numa posição neutra ao mesmo tempo que se trabalha a mobilidade e o fortalecimento do resto do corpo. Esta ativação muscular ao longo do tempo de prática começa a ser automatizada pelo corpo, tornando-se presente de forma inconsciente no indivíduo.

Concluímos assim que todas as intervenções acima referidas apresentam-se como ferramentas imprescindíveis na promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida dos pacientes com lombalgias nas diversas áreas da sociedade.

Artigo redigido por Fisioterapeuta Bruno Vale.