A articulação do joelho é considerada uma das mais complexas em termos anatómicos e
funcionais. Esta necessita de estabilidade para suportar o peso do corpo e, por outro
lado, um alto grau de flexibilidade e liberdade de movimento, tornando esta articulação
muito suscetível a lesões.

A lesão do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é uma das lesões ligamentares do joelho
que ocorre com maior frequência. Este ligamento tem como principal função impedir a
translação anterior da tíbia e a rotação da mesma. É composto por dois feixes: o antero
medial e antero lateral.

Apresenta como principais mecanismos de lesão: trauma direto ou movimentos
forçados do joelho (entorse), sendo este último mais comum, responsável por 85% das
lesões. As mudanças de direção repentinas ou desacelerações de movimento, em apoio
unipodal, condicionam a rotação interna do fémur sobre a tíbia (movimento de valgo do
joelho), normalmente com ligeira flexão do joelho.

As roturas podem-se dividir em parciais quando afetam menos de 25% do ligamento e
quando não apresentam instabilidade articular aguda nem crónica ou em completas
quando atingem mais de 50% do ligamento, principalmente o feixe antero medial;
No momento da rotura o indivíduo sente um estalido ou sensação de “estouro dentro do
joelho”. É acompanhado de dor severa e edema que surge 1 hora após a lesão e
apresenta amplitude de movimento ativa e passiva limitada.
Independentemente do mecanismo de lesão, a rotura do LCA leva a alterações
biomecânicas na articulação e é habitualmente associada a lesões meniscais,
cartilagíneas e, posteriormente, à artrose do joelho.

Fatores de risco

Intrínsecos – podem ser anatómicos, neuromusculares (diminuição da força dos
isquiotibiais, dominância do quadricípite e fraqueza dos abdutores e rotadores externos
da anca) ou biomecânicos, tais como:

  • Laxidez articular e hiperextensão do joelho;
  • Joelho valgo (estrutural ou dinâmico);
  • Rotura previa do LCA (1 em cada 9 sofre uma nova rotura);
  • Sexo feminino;
  • História familiar;
  • Morfologia dos componentes do joelho (largura da chanfradura
    intercondilar diminuída e inclinação posterior do prato tibial).

Extrínsecos – podem ser corrigidos e nem sempre dependem do indivíduo, tais como:

  • Prática desportiva – execução inadequada;
  • Interação entre o calçado e o solo (o atrito pode aumentar o risco de
    lesão);
  • Condições meteorológicas.

Avaliação
O diagnóstico baseia-se na história clínica (mecanismo de lesão) e no exame físico do
paciente, através de testes específicos para identificar a rotura. Apesar do diagnóstico
poder ser efetuado apenas por testes, o recurso a exames de diagnósticos,
nomeadamente a Ressonância Magnética (RM) é vantajosa. Com a RM é possível
diferenciar entre roturas totais e parciais, assim como demonstrar a presença de danos
meniscais, ligamentares e osteocondrais.

A fisioterapia é considerada em casos de roturas menos severas (parciais) que não
apresentem instabilidade, em doentes mais sedentários ou indivíduos que consigam
prescindir de grande atividade física e em crianças.

A cirurgia é indicada de acordo com a gravidade da lesão, idade do paciente, profissão,
atividade física e lesões associadas. É aconselhada em indivíduos que apresentem
instabilidade do joelho nas atividades da vida diária e a atletas como jogadores de
futebol, basquetebol e voleibol.

A cirurgia é feita por via artroscópica e a técnica mais utilizada são os autoenxertos,
podendo ser utilizados os tendões dos músculos isquiotibiais, o tendão quadricipital e o
rotuliano.

Fisioterapia no pré e pós cirúrgico

O tratamento agudo consiste em reduzir a dor, na imobilização e elevação do membro,
colocação de gelo e compressão no local para reduzir o edema. Posteriormente é
decidido o tipo de tratamento a realizar, conservador ou cirúrgico.

A intervenção da fisioterapia nos casos de rotura do LCA deve iniciar antes do
procedimento cirúrgico principalmente para prevenir atrofias musculares. Esta deve
basear-se em exercícios de reforço muscular, em técnicas que mantenham a amplitude
articular do joelho e em procedimentos que diminuam o edema e inflamação da
articulação.

Após a cirurgia é aconselhada a realização de fisioterapia para que a reabilitação do
paciente seja mais rápida e eficaz. A reabilitação consiste numa progressão de
atividades específicas que proporcionam a aquisição de capacidades motoras de moda a
tornar a atividade física segura. Os principais objetivos após a intervenção é que o
paciente diminua a dor, aumente a amplitude de movimento, nomeadamente que
consiga atingir a extensão total do joelho, aumente a força muscular e que consiga
retomar a atividade física de forma rápida e segura. Para isso são realizados exercícios
de reforço muscular, com recurso a eletroestimulação numa fase inicial e a exercícios
com carga gradual, treino neuromuscular, reeducação da marcha, treino de função e
proprioceção. Em simultâneo conjugam-se técnicas manuais como massagem,
mobilização precoce para ganhos de amplitude, diatermia para acelerar a recuperação
tecidual, pressoterapia e gelo para reduzir o edema no pós cirúrgico. O Método Pold é
um método eficaz e utilizado nestes casos para recuperação de amplitude articular.
Para retomar a atividade física o fator tempo, força muscular, proprioceção e amplitude
de movimento têm de ser avaliadas por meio de teste funcionais e, idealmente, deverá
recorrer-se à avaliação isocinética.

A reabilitação através da fisioterapia apresenta os mesmos objetivos quer se realize
cirurgia ou não, sendo eles: prevenir a instabilidade recorrente e a lesão meniscal
associada, permitir o retorno rápido e seguro à atividade, proporcionar ganhos de força e
amplitude articular e melhorar a qualidade de vida do paciente sem qualquer
sintomatologia ou limitação.

Conclusão
A fisioterapia tem um papel muito importante na reabilitação dos pacientes que são
submetidos a cirurgia de reconstrução do LCA, tanto no pré quanto no pós operatório, e
mesmo quando não é realizada cirurgia. O fisioterapeuta aplica um conjunto de técnicas

para diminuir a sintomatologia do paciente e associa exercícios devidamente planeados
e adaptados à função de cada paciente.

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